sexta-feira, 14 de julho de 2017

GOLPE NA REGIÃO - Pirâmide financeira se propaga e Polícia Civil inicia investigação

A Polícia Civil de Campo Mourão fez um alerta ontem sobre uma nova modalidade de pirâmide financeira que vem causando prejuízos irrecuperáveis para muita gente em Campo Mourão e região. O delegado Marcelo Trevisan disse em entrevista coletiva à imprensa que o esquema feito para ganhar dinheiro, configura‐se em uma ação ilícita para quem organiza o “negócio” e também para quem divulga nas redes sociais, convidando mais pessoas a entrar na pirâmide. “Trata‐se de uma nova modalidade de pirâmide financeira, a última muito noticiada foi a Telexfree, mas essas coisas vão sendo reinventadas de outras formas para atrair as pessoas para esse tipo de esquema”, afirma o delegado.

Esse novo tipo de pirâmide financeira funciona da seguinte forma: você recebe um convite para investir determinado valor, mas, para participar, tem que convidar alguns colegas e amigos para aderir à ideia. O problema é que o número de investimentos se multiplica de tal maneira, que só lucra quem iniciou a pirâmide, o resto das pessoas caem em um prejuízo, muitas vezes irreparável. A ação se tornou comum no Brasil, sendo facilitada pelo contato instantâneo das pessoas pelas redes sociais, principalmente entre amigos.


Trevisan explica que obter lucro com isso ou mesmo tentar conseguir lucro caracteriza crime contra a economia popular. A pessoa pode ser enquadrada como um crime contra a economia popular, previsto no inciso IX, art. 2º, da Lei 1.521/51: "obter ou tentar obter ganhos ilícitos em detrimento do povo ou de número indeterminado de pessoas mediante especulações ou processos fraudulentos.”

A Polícia Civil de Campo Mourão já abriu inquérito para apurar algumas práticas desse esquema e ouviu várias pessoas supostamente envolvidas com a pirâmide financeira. “Foram identificadas e interrogadas algumas pessoas, mas ainda não conseguimos chegar ao líder, ao cabeça desse grupo, até porque são vários grupos. A orientação é para que as pessoas não entrem, mas principalmente não divulguem porque a mera divulgação pode caracterizar crime”, alerta Trevisan.

O delegado explica que há muita desinformação, envolvendo pessoas que acreditam estar participando de um negócio legal, como se fosse uma espécie de doação. “Algumas pessoas ouvidas alegaram que ingressaram no grupo porque foram informadas de que era tudo legal, usando como base o Código Civil, que permite a doação de dinheiro. Mas isso é mentira, não que o Código não possibilite a doação, no entanto, nesse caso da pirâmide financeira não é isso que acontece. Nesse esquema, quando a pessoa repassa R$ 50,00 ou R$ 125,00, valores mais comuns divulgados, ela não espera ajudar outra pessoa, mas obter algo em troca, ou seja, uma bolada ainda maior no final”, revela o delegado.

Conforme explica o delegado, os prejuízos começam para quem investiu dinheiro, quando outras pessoas param de aderir. “Muita gente já reclamou que doou e não recebeu. Vamos tentar identificar os responsáveis por esse esquema, mas para reaver os valores investidos as pessoas que se julgam lesadas deverão procurar a justiça, com advogados.”

Mas Trevisan reforça que mesmo quem se julga vitima pode também estar cometendo um crime, caso esteja aliciando mais pessoas pelas redes sociais a entrar no esquema. “Você meramente participar sem convidar ninguém não configura necessariamente crime, mas ainda assim vamos analisar o contexto de cada caso”, completa.

(Tribuna do Interior)